É tudo Improviso. Será?

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Depois de algum tempo, finalmente senti que é o momento adequado para eu falar do programa que a BAND colocou no ar para substituir o CQC – Custe o que Custar – um outro humorístico, com outros moldes, É Tudo Improviso vem fazendo sucesso na emissora de dando o que falar entre os telespectadores, tanto que, de programa substituto, ao que parece, irá ganhar espaço na grade da emissora em 2010.

De fato, ao primeiro olhar, o humorístico parece bem interessante e divertido. Não são poucos os momentos de risada assistindo aos participantes criarem situações engraçadas a partir de uma frase ou de uma expressão. Como o humor stand up, sem roteiro, de cara limpa e esta é a proposta do programa, mostrar as facetas e dificuldades dos profissionais de humor em stand up.

Porém, um olhar mais abrangente e aprofundado nos faz perceber alguns problemas no programa que o torno viciado – e não viciante, diga-se. É Tudo Improviso aposta pelo caminho fácil do humor, mesmo com tiradas rápidas e frases curtas, os humoristas quase sempre criam frases e situações absolutamente clichês e que são batidas em situações cômicas. Como a loira burra, piadas de cunho sexual, machista, e situações foraçadas.

Esse tipo de humor não é tão difícil de se fazer quanto se parece. Claro, é preciso ser profissional da área para conseguir pensar numa situação engraçada é tão pouco tempo e isso é válido e motivo para elogio. Porém, o caminho que faria do programa um marco e um diferencial para a TV seria este mesmo formato, estas mesmas situações, mas com piadas inteligentes, com situações mais aprofundadas e que, com metáforas, trariam momentos cômicos muito mais interessantes.

Os humoristas do É Tudo Improviso são bons, mas ultrapassam o limite do stand up ao se preocuparem mais em criar situações engraçadas rápidas do que com a qualidade dessas situações. O tempo, as vezes, nem é tão importante, por isso uma reforma e adaptação, mas mantendo o formato diferenciado para televisão, seria talvez a solução mais prática para dar fôlego e deixar o programa engraçado.

Porque, numa análise fria, o humorístico não é ruim, muito longe disso, ele é até engraçado, porém, é quase impossível assistir a um episódio inteiro. A partir da metade, mesmo com situações e frases diferentes, as piadas começam a se repetir, os temas começam a ser os mesmos e tudo vai perdendo a graça aos poucos. Apostar no apelo e naquilo que se sabe que as pessoas normalmente vão achar graça – mesmo que de forma automática, sem nem pensar um pouco – é muito mais cômodo do que se arriscar.

Os riscos e as situações bizarras e interessantes também acontecem. Com muito menor freqüência que o ideal, mas acontece e quando nos deparamos com isso o programa fica genial. No episódio de ontem, houve um lampejo de um dos participantes que certamente arrancou muitas risadas, sem apelação, sem clichês, apenas com a criatividade. A situação era: “O que eu vou fazer em 2010 que eu não fiz em 2009″ e o humorista numa tacada brilhante simplesmente disse: “29 anos”. É disso que estou falando, humor inteligente e, até, ácido as vezes.

É Tudo Improviso caminha realmente para ficar na grade da BAND em 2010 e é muito válido que isso ocorra, mas para que não perca público ou se torne mais um humorístico enfadonho, é preciso que o grupo aposte em várias facetas do humor, sempre tentando fugir do clichê.

Escrito por Daniel César

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